Tudo o que já se fez e foi dito na tentativa de resolver os problemas existências da humanidade desde os tempos mais remotos, foi feito ou dito, direta ou indiretamente, na tentativa de conciliar corpo e espírito, ou desvencilhá-los por completo.
A verdade é que estamos sempre à procura de respostas, exceto aqueles que se agradam com respostas fantásticas ou aqueles que cansam de lutar e aderem à uma idéia reveladora qualquer.
Somos sim compostos de matéria, somos corpo. Somos sim compostos de uma parte inorgânica, o que costumamos denominar de espírito. Ora queremos ser deste mundo, ora desejamos fugir deste e contemplar uma realidade subjetiva, talvez perfeita. Nossas decisões derivam sempre desses dois caracteres da nossa constituição. Ficamos em dúvida, principalmente quando devemos tomar decisões que colocam em choque esses nossos dois elementos constituintes. Porém não há outra saída senão escolher. E escolher implica sempre em conviver com as conseqüências. Entretanto, somos já desde sempre privilegiados, podemos escolher, re-escolher, organizar, reorganizar, decidir nossa existência e co-existência. Só por esse ângulo já podemos nos alegrar: somos homens, assim como somos, capazes de inventar nossa existência, podemos escolher ser felizes, ser bons, ou ser infelizes, ser autodestrutivos ou altamente aprimorados. Qualquer outra entidade extraterrena superior, das quais muito se vê falar, não têm esse privilégio, precisam sempre ser o que são, não podem e não devem, contradizerem-se; devem ser sempre perfeitos. Não é irônico.
Estamos à mercê das peripécias do devir, mas podemos brincar de ser deuses, e podemos felicitarmo-nos como sendo melhores que eles e maiores, pois tecemos nossa história, resolvemos nossos contra-tempos, fazemos nossas guerras e festejamos nossas vitórias, e o melhor, podemos dar crédito aos nossos dilemas: quão rui deve ser não poder sentir-se em dúvida, sentir-se confuso.


polêmico, mas coerente. basta querer ver as verdades descritas no texto.
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