
Não acontece nada por acaso ou de repente. A vida é uma corrente e você é que forja cada elo, e cada elo não será desfeito, pois seria interromper, cortar o fio que diferencia o ser vivo do não-vivo. Porém, é a partir de cada elo constituído que se deve dar prosseguimento a corrente. Logo, tudo está intimamente ligado, mas também tudo pode ser superado e novos elos da corrente da nossa vida podem mostrar-se brilhantes e não será necessário estar relembrando coisas indesejáveis que tenham ocorrido, o bom e agradável sobrepõe o ruim e repugnante.
Estou certo de que sou o ferreiro da minha própria existência: construo a grande corrente que deve ser a minha vida, elo por elo. Contudo, há sem duvida limitações impostas pelo soberano tempo e pelo meio social do qual todo o ser humano faz parte. Especialmente no que diz respeito aos equívocos, estes sempre marcam um período longo ou curto de atraso na concretização do que se quer.
Ser o forjador do próprio destino quer dizer também não poder dividir responsabilidades, mas não quer dizer necessariamente que não erramos ou não podemos errar, pelo contrário, estamos sempre errando, mas precisamos aprender com os erros e não cometer os mesmos nunca mais para não nos aprofundarmos nas sombras e trevas que a ignorância sugere e atrai.
Por fim, o que cabe ainda ser dito: viver é uma arte; não quebrar a corrente que é a vida dentro de si é já uma vitória, mas fazer acontecer tudo o que se quer, respeitando o majestoso tempo sem perder a audácia e irreverência é uma glória reservada a guerreiros aptos a conquistarem a posição de seres maiorais, divinos.

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